quarta-feira, 14 de maio de 2025

1ºTRIMESTRE - NOVAS DIRETRIZES OPERACIONAIS PARA EJA

 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

CNE institui novas diretrizes operacionais para a EJA

Em resolução publicada nesta quarta-feira (9), o Conselho Nacional de Educação indica orientações de atendimento aos estudantes, considerando as especificidades e a diversidade da educação de jovens e adultos
Publicado em 09/04/2025 13h39

Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão de assessoramento ao Ministério da Educação (MEC) que tem como missão assegurar a participação da sociedade no desenvolvimento, no aprimoramento e na consolidação da educação nacional, instituiu novas diretrizes operacionais nacionais para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). A Resolução CNE/CEB nº 3/2025 com as diretrizes foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta-feira, 9 de abril. O documento está alinhado ao parecer da Câmara de Educação Básica do CNE, aprovado em janeiro deste ano e homologado pelo MEC 

As diretrizes se inserem no âmbito da garantia do direito à educação na juventude e na vida adulta, incluindo as pessoas idosas. Ao instituí-las, o MEC atende ao compromisso de orientar e estimular políticas, programas, práticas e investimentos para que a EJA seja instrumento de transformação social e redução das desigualdades. Assim, a resolução visa garantir o acesso à educação básica para jovens, adultos e idosos, ampliando as possibilidades de ingresso e permanência, considerando as especificidades e diversidade sociocultural do público atendido pela EJA.  

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2023, há 9,3 milhões de pessoas não alfabetizadas com 15 anos ou mais no país. A Conferência Nacional da Educação (Conae) de 2024, por sua vez, apontou a existência de 50 milhões de pessoas que não concluíram o ensino fundamental no Brasil. A realidade contrasta com a queda de matrículas na EJA e com fechamento de turmas. As novas diretrizes buscam reparar direitos educacionais e enfrentar a queda de matrículas na modalidade. A implementação do proposto na resolução contribuirá para a ampliação do acesso à educação, a redução do analfabetismo e a elevação da escolaridade da população jovem, adulta e idosa. 

Novas diretrizes – A Resolução prevê diferentes formas de organização da oferta para atender à diversidade do público. Entre elas está a proposta de combinação de práticas pedagógicas presenciais e não presenciais, além da articulação com a educação profissional. A norma ainda prevê, no caso do ensino médio, a oferta virtual, na modalidade de educação a distância (EAD), com a execução de 50% da carga horária de forma presencial. 

O texto também prevê a possibilidade de serem propostas formas variadas de organização curricular, permitindo flexibilidade e adequação às realidades dos estudantes. Nesse sentido, considera a diversidade cultural e social dos estudantes. Além disso, também está prevista a promoção das condições de acessibilidade curricular, tecnológica e arquitetônica, incluindo a garantia da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e da comunicação aumentativa e alternativa para estudantes com deficiências ou necessidades específicas. O atendimento às comunidades tradicionais e à população privada de liberdade foi incluído na resolução, garantindo equidade educacional. 

A valorização dos saberes adquiridos pelos estudantes antes do ingresso nos cursos da EJA está apontada na Resolução, além da promoção de critérios específicos para avaliação e aproveitamento desses conhecimentosSegundo o texto, o aproveitamento de saberes, estudos e conhecimentos dos estudantes deve ser feito por meio de práticas sociais e laborais, a serem convertidas em horas-atividades ou unidades pedagógicas incorporadas ao currículo escolar. 

Quanto ao currículo, o texto define as experiências prévias dos estudantes devem ser consideradas de maneira a garantir igualdade de acesso e permanência à escola; inclusive na oferta de educação física e língua estrangeira: espanhol ou inglês. A pluralidade de formas de atendimento, elemento essencial para contemplar a diversidade do público da EJA, é reforçada pela determinação para que a oferta da modalidade aconteça nos turnos matutino, vespertino e noturno  

Resolução ainda estabelece que as estratégias de avaliação devem ser diversificadas, de maneira que os estudantes possam demonstrar suas aprendizagens e seus conhecimentos e saberes por diferentes meios. A possibilidade de oferta educacional baseada na pedagogia da alternância, permitindo que os estudantes desenvolvam atividades de pesquisa e práticas sociais relacionadas ao seu cotidiano familiar e profissional, também está entre os pontos indicados.  

Por fim, o texto prevê uma política de expansão territorial da oferta da EJA, incluindo a ampliação de vagas e a realização permanente de chamada pública, envolvendo órgãos governamentais, movimentos sociais e populares, setor produtivo, instituições de ensino e pesquisa, Ministério Público e outros. 

Processo democrático  O MEC reforça que o processo de elaboração da Resolução foi amplo e democrático, incluindo audiências e consultas públicas, assegurando um texto final que reflete as necessidades reais do público atendido pela EJA.  

O texto foi estruturado a partir de diversas iniciativas, incluindo debates no âmbito da Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos (Cnaeja), reuniões do CNE com diferentes grupos da sociedade civil, como os Fóruns de EJA, além de uma audiência pública online realizada em novembro de 2024, com cerca de 300 participantes das cinco regiões brasileiras.   

Também foram consideradas manifestações recebidas de estudantes da EJA em forma de texto, áudio ou vídeo; moção e outros documentos apresentados pela Conferência Nacional de Educação (Conae/2024); dossiê do Movimento pela Base; e audiência pública realizada pela Deputada Federal Reginete Bispo, na Câmara dos Deputados, em agosto de 2023.  

Pacto nacional  O conjunto de orientações contido na Resolução viabiliza e estimula a implementação de ações, programas e estratégias previstos no Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos, lançado pelo MEC em 6 de junho de 2024, e instituído pelo Decreto nº 12.048, de 5 de junho de 2024. No MEC, parte das políticas públicas direcionadas ao EJA são coordenadas pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi). 

 https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/abril/cne-institui-novas-diretrizes-operacionais-para-a-eja

2º TRIMESTRE - IDEAIS CENTRAIS SOBRE PRINCÍPIOS E FUNÇÕES DA EJA

 FUNÇÕES


SÃO AS TRÊS DIMENSÕES EM QUE A EJA REALIZA SEU PAPEL, SEJA:

REPARADORA- Se entendemos que o aluno da EJA já enfrentou situações de discriminação social ou limitação de seus direitos cidadãos, esse princípio vai além da adoção de estratégias pedagógicas e institucionais. Pensar uma educação reparadora é pensar também na criação de mecanismos de apoio, metodologias flexíveis e políticas de acolhimento que possibilitem a continuidade dos estudos pelo tempo necessário para a conclusão da formação escolar, respeitando as trajetórias individuais.

CORRIGINDO DESIGUALDADES HISTÓRICAS

GARANTINDO ACESSO À ESCOLA E A EFETIVA INCLUSÃO E PERMANÊNCIA DOS ESTUDANTES

EQUALIZADORA - A verdadeira equidade educacional não poderia partir da suposição de que somente a convivência em um espaço comum garante as mesmas oportunidades de aprendizado para todos. Promover a função equalizadora implica considerar essas diferenças e desenvolver estratégias pedagógicas que assegurem a todos os recursos necessários para superar desafios de aprendizagem e alcançar o pleno desenvolvimento acadêmico e pessoal.

GARANTINDO A PROMOÇÃO DA IGUALDADE NO CONTEXTO ESCOLAR

GARANTINDO A EQUIDADE NA APRENDIZAGEM

QUALIFICADORA - criar condições para que os alunos desenvolvam suas potencialidades e ampliem suas perspectivas de vida — no campo profissional ou em quaisquer outros de seu interesse.

DEFINIDA PELAS DCNS COMO FUNÇÃO PERMANENTE

GARANTINDO EDUCAÇÃO CONTÍNUA E TRANSFORMADORA ACESSÍVEL EM QUALQUER FASE DA VIDA

GARANTIA DE QUE OS ESTUDOS SEJAM RETOMADOS, INICIADOS OU RESSIGNIFICADOS

As três funções da EJA — reparadora, equalizadora e qualificadora — se complementam, orientando práticas pedagógicas coerentes com as demandas de um público-alvo que não tem tempo a perder. São sujeitos representantes de históricos processos de desigualdade social, mas que, a partir da escolarização, podem ter seu repertório intelectual valorizado e sua cidadania fortalecida.


PRINCÍPIOS

EQUIDADE

Princípio da equidade diz respeito à distribuição específica dos componentes curriculares da EJA nos diferentes níveis de ensino, garantindo uma formação igualitária. Que os educandos da EJA tenham acesso aos mesmos conhecimentos que os demais estudantes, restabelecendo a igualdade de direitos e oportunidades no contexto do direito à educação.

DIFERENÇA

O princípio da diferença destaca o reconhecimento da identidade única dos jovens e adultos em seu processo formativo, valorizando o desenvolvimento individual, seus conhecimentos e seus valores. Os conhecimentos científicos devem ser transmitidos considerando as diversas formas de aprendizado dos educandos, utilizando metodologias adaptadas às diferentes faixas etárias.

PROPORCIONALIDADE

O princípio da proporcionalidade busca criar espaços e tempos nos quais as práticas pedagógicas garantam uma identidade formativa comum aos demais participantes da escolarização básica.

2º TRIMESTRE - BREVE HISTÓRICO DA EJA NO BRASIL

  Histórico da EJA no Brasil Ao pensar a Educação de Jovens e Adultos, é preciso levar em consideração a trajetória histórica da modalidad...